sábado, 21 de novembro de 2009

A minha 2.ª 4L

Comprei-a em Abril e vendi-a em Dezembro do ano seguinte com 62.000Km.
Claro que quando foi a hora de trocar, o concessionário da Renault tirou-lhe 30.000Km!
Como se pode calcular, fartei-me de fazer viagens com ela. Para chegar a casa demorava 7 horas e alguns fins de semana chegava a fazer 1200Km.
Uma das viagens aventureiras (ou tolas) foi da Vide para a Torre. Ao passar por cima de Loriga, vi uma seta que indicava: «Torre». Claro que me meti por esse caminho que não era estrada coisa nenhuma. Era um caminho de pedras, de fragas, sempre a subir, a 4L ia pondo uma roda num sítio, depois era a outra roda, etc..
O céu começa a escurecer com nevoeiro (foi em Dezembro) mas ela vai sempre subindo, sempre subindo.
Finalmente, chego ao pé da Torre que estava como se pode ver:
Isto estava tão mau (entretanto chegou a noite) que passei o cruzamento para Manteigas sem o ver.
Mas lá cheguei a casa pela 1 da manhã.
Numa outra vez, pelas 11 da noite, estava a descer o Buçaco quando de repente fico sem luz nenhuma! Apanhei um susto levado da breca.
Felizmente, ia muito devagar e, quando desfaço a curva, a luz volta. Mais um pedaço para diante, acontece a mesma coisa. E depois passou. Não sei o que lhe aconteceu mas pregou-me um susto valente.
Mas todo o peru tem o seu Natal e veio o dia em que troquei a 4L por um carro topo de gama!
Este:

É claro que não é isso que eu disse mas para mim era um luxo.
Tinha vidros eléctricos, comando de abertura das portas, sei lá que mais.
Tive-o durante dois anos e foi vendido com 68.000Km. Mais uma vez, a Renault tirou-lhe 30000Km.
Deve ser hábito.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Terras onde vivi

Vou contar aqui os sítios por onde passei, melhor, os sítios onde vivi.
Tive a sorte de andar de terra em terra durante alguns anos e de cada uma delas tenho algumas coisas.
Não falo, ao contrário do que disse no início, de sítios por onde passei; felizmente são muitos mas não me chegam.
Prefiro as terras onde vivi mesmo, onde conheci pessoas diferentes, climas diferentes, problemas diferentes. Mesmo as terras onde morei e de que hoje não gosto (como não gostei na altura) até àquelas de que gostei muito, mesmo aquelas de que na altura não gostei e hoje gosto, etc..
Um conselho (ou aviso) que sempre recebi dos meus Pais foi: «quando fores independente, não fiques tão perto que tropecemos sempre uns nos outros; nem tão longe que nunca nos vejamos». Pela minha parte tentei cumprir e a verdade é que nunca vivi fora de Portugal.
Mas não resisto a começar isto por uma contradição.
Esta:
Nunca vivi nesta terra mas passei muitos meses nas férias (realmente) grandes. Trata-se da terra das minhas avós aonde de vez em quando vou. As aldeias vizinhas (logo, rivais) chamavam-lhe a covancha porque fica numa pequena cova.
Não me incomoda. A covancha colhe calor e debaixo de qualquer árvore há sombra.


Vou tentar colocar cada uma delas uma vez por mês; empata-me o tasco por cerca de uma ano.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Caricaturas

É esta a expressão que me ocorre a respeito deste livro.
O 50.º aniversário do Asterix devia ser comemorado com pompa e circunstância e não me parece que este livro dê alguma ajuda para isso.
A chama do Gaulês desapareceu em 1977 e quanto a isso não há volta a dar-lhe.
Assim como assim, prefiro as caricaturas que estão neste livro:
Mas ainda assim, encontrei uma outra caricatura engraçada na p. 26:
Não foi esta a primeira vez que os Beatles apareceram no Asterix e tenho de reconhecer que o boneco está muito bem conseguido.
Nem, claro, é esta a primeira vez que a capa do Abbey Road é imitada; pode ver aqui uma lista bem interessante.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Uma História da América

Em Outubro de 1998 uma amiga foi aos EUA e perguntou-me se eu queria alguma coisa de lá. Disse-lhe que queria uma História dos EU que não fosse elementar ou que não fosse demasiado completa, volumosa.
Trouxe-me esta, de Paul Johnson.
Grande livro!
Quase mil páginas, sem índices, tudo é descrição do modo como se fez aquele grande país. Eu admiro imenso os EU e, particularmente, a sua fundação. No decurso do livro, vamo-nos apercebendo que (1.º) o território era tão vasto que tinha que ser ocupado (independentemente ou não obstante as diversas crenças religiosas cristãs que os motivaram) e (2.º) e que o registo dos factos e das opiniões é contemporâneo desse tempo da fundação. Eles, os cultos, claro, escreviam tudo, faziam panfletos por tudo e por nada (actuais blogues sem imposto sobre o papel) e deixaram marcas. E isto torna a história da América mais fascinante e mais completa, mais fácil de compreender.
O autor não esconde o amor que tem pelo país e pelas pessoas que o fizeram. Aliás, melhor que um descritor de eventos, ele assume as suas paixões, as suas inclinações por uma pessoa, por um conjunto de dados, por uma circunstância política qualquer. Bons exemplos disto são as suas considerações a propósito de JFK e Camelot e sobre Watergate.
No que mais para trás diz respeito, em termos de tempo, o que vemos no livro é uma admiração enorme pelas pessoas que fizeram aquilo, desde logo, os Foundig Fathers.
O livro divide-se em oito partes que se datam da seguinte maneira: 1850-1750, 1750-1815, 1815-1850, 1850-1870, 1870-1912, 1972-1929, 1929-1960 e 1960-1997.
Não quero escrever os nomes destas partes; estão em inglês, poderia parecer pedante e, de certeza, perderia o seu sentido.
Recebi este livro (ISBN 0-06-016836-6) em Outubro de 1998.
Gosto sempre de o ler.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O melhor carro do mundo

Não sei qual seja o melhor carro do mundo.
Eu gosto muito do Mercedes, do Jaguar, do EFIJY, etc..
Mas será algum destes o melhor do mundo?
Não faço ideia e estou-me nas tintas. Às vezes digo que não me lembro do nome do melhor carro do mundo, outras digo que não sei ou que não quero saber.
E sei, claro, porque digo isto.
É que eu sei qual é o segundo melhor carro do mundo.
Este:
Sabendo qual é o segundo, que preocupação hei-de ter com o primeiro?
Não me diz nada.
Naturalmente, há nisto alguma contenção, alguma objectividade, alguma (até) modéstia.

Se for o contrário, se eu não me contiver, se eu for subjectivo e vaidoso, então eu tenho que dizer:

A 4L É O MELHOR CARRO DO MUNDO!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Mercedes 300SL

Esta fotografia é tirada do Almanaque de Novembro de 1960.
Talvez seja o carro mais espantoso da Mercedes.
Embora a revista tenha 4 ou 5 modelos desta marca e embora já tenha posto aqui um outro, repito este tipo de post por uma razão.
Recentemente, a marca fez algo semelhante com um resultado espantoso, também: o SLS-AMG.
Um carro simpático que, com 6,3 litros, desenvolve 571 cavalos!
Trata-se de um carro semelhante cuja apreciação pode ver-se aqui (de onde tirei a fotografia).
Mas para mais e melhores pormenores nada como ir à fonte.
P.S.
Há tempos queixei-me que para andar de Mercedes tinha que andar de taxi. Poucos dias depois, foi o test drive da marca e lá consegui conduzir um Classe C (220D, creio eu).
Foi bom.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Música & Som

Há pouco deixei um comentário no Beatles For Ever a respeito desta revista.
Este foi um número especial dedicado aos Beatles, à sua história e música. Foi a primeira vez que li alguma coisa a sério a respeito deles. Já conhecia as canções (o «Rock'n'Roll Music» tinha saído há dois anos; o «Love Songs» estava acabado de publicar; em 73 tinham sido editados os Albuns Vermelho e Azul) mas gostei muito de saber a história.
Esta revista foi publicada em Fevereiro de 1978 e custava 30$00.
Ainda hoje tenho esta revista religiosamente guardada.
Ainda bem!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Uma largueza

Dizem que é a Sé mais larga do País.
Não sei pois nunca a medi; mas reconheço que é larga.

sábado, 10 de outubro de 2009

Água tónica

Este é o anúncio dos produtos da Schweppes, entre eles, a melhor água tónica do mundo.
Foi publicado no Almanaque de Agosto de 1960.
Não bebo bebidas destiladas (aguardente, uísque, etc.) mas abro, raramente, um excepção para o melhor gin-tonic: Gordon's e Schweppes. É das bebidas mais refrescantes que conheço.

domingo, 4 de outubro de 2009

Não voto para a Câmara

Nas eleições autárquicas não discutimos o TGV, o aeroporto de Lisboa, o BPN e essas coisas. Discutimos o que nos é mais próximo no dia a dia (se os esgotos funcionam, se a rua está com bom piso, se não falta água nas casas, etc.). Há uma muito maior relação de proximidade entre nós e o resultado da eleição.
Por isso, posso ter uma razão puramente pessoal, comezinha, para votar neste ou naquele ou mesmo para não votar.
É isso que eu faço.
Há 2 anos e tal, quis fazer uma garagem para a minha Cachopa (a que está aí em cima). Fui à Câmara informar-me do que era preciso e logo me falaram em planta geo-localizada, em arquitecto, etc. Embora espantado, e pagando, cumpri esta parte. Mas depois começaram a pedir plantas de localização, de reservas e sei lá que mais.
Mas isto é só para uma garagem para uma mota.
Que é mesmo assim, desde que haja betão é como se fosse uma casa, etc..
A certa altura, falaram-me em «obra de pequena dimensão» e que não seria necessária tanta coisa. Fomos ver o regulamento municipal das obras e, para ser mais simples, a garagem tinha que ficar a 6m da parte de trás da casa.
Bom; eu tenho um quintal, não tenho uma quinta. Ou seja, não tenho 6m para trás.
Como não ia fazer a obra clandestina (embora muita gente me disse para fazer e pagar a multa depois), optei por outra coisa:
Trata-se de um abrigo da Maxmat onde cabem a Cachopa e mais uma série de coisas. Não entra chuva, é relativamente fácil de montar (levou um dia com um amigo carpinteiro, mas faz-se bem), a mota está lá muito bem, etc. e tal.
Por esta razão, não voto em qualquer Câmara que tenha um regulamento de obras que me impede que eu faça uma garagem porque tenho um quintal pequeno.
Quando mudarem o regulamento, talvez vote.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

As minhas R4

Tive três.
Da primeira pouco falo porque só a tive 4 meses. Circulava na variante de Grândola e fui albarroado por outro carro. Felizmente, a seguradora pagou a sua parte e com esse dinheiro comprei outra. O carro foi para a sucata mas alguém achou maneira de ele voltar a circular. Anos depois, voltei a ver esse carro em Lisboa, na rua da Sé (suponho que seja este o nome porque a rua desce junto à Sé para a Madalena).
De qualquer forma, esta carrinha foi para mim uma evolução enorme. Eu tinha vindo de uma Mini Ima de que não via o capot, ou a estrada ou o que fosse. Na 4L, eu via tudo, principalmente, os dois cantos da frente do carro.
E não tinha que me levantar do banco para ver isto tudo.

Só diz mal do Mini quem nunca teve um. Mas eu reconheço que era um carro esquisito.
Tinha um volante e uma alavanca das mudanças que mais parecia de um camião!
Depois tinha 5 chaves, o que é uma coisa incrível para um carro tão pequeno. Mas isto, pensando pela cabeça de um inglês, até é natural e lógico.
Uma chave para a ignição; outra para a porta do condutor; outra para a porta da mala; outra para o tampão da gasolina; a quinta para a abrir o capot.
A minha Mini Ima tinha duas portas traseiras, isto é, era diferente das outras que andavam por aí, segundo me apercebi desta notícia.
Depois, falarei das outras duas R4 que tive.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Café Hag

Este anúncio foi publicado no Almanaque de Janeiro de 1960.
Nunca ouvi falar desta marca de café mas parece que foi muito famoso. A empresa era alemã [Kaffee Handelsgesellschaft AG (Kaffee HAG)] mas acabou, tanto quanto sei, por ser comprada por uma rival americana. Mas nada sei sobre isto.
Já era descafeinado o que levou à criação de diversos cartoons.
Pode-se ver aqui outro anúncio.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A mentira campeâ


Gosto mais de História do que do presente.
No entanto, vou vendo o que se passa à minha volta. Da mesma maneira que gosto de História, detesto um mentiroso. Eu sei que cada um conta as coisas à sua maneira mas há pequenos factos que são nossos, da nossa vida e sobre os quais não há qualquer dúvida. Ou aconteceram ou não aconteceram.
Não se trata da mentira social, da mentirita, daquilo que, de repente, nos salva de um embaraço (ou nos mete noutro, claro). Trata-se antes de pura mentira, trata-se de algo que todos sabem que não pode ter acontecido, que não aconteceu.

Vem isto a propósito da recente entrevista de Carolina Patrocínio ao jornal i. O texto, no que me interessa, é o seguinte:

«Desde que idade vota? Votou sempre no Partido Socialista?

Desde os dezoito anos, ou seja, desde 2005. Para as legislativas votei sempre PS. Em outras eleições não necessariamente, depende dos candidatos...»

Como é sabido, esta rapariga em Fevereiro de 2005 não tinha 18 anos, logo, não podia votar (tinha idade para estar recenseada, claro, mas não para votar).
Admito, pois que não tenha votado nas eleições legislativas de Fevereiro de 2005.
Mas, então, porque carga de razão ela disse isto?
Só vejo um hipótese: ela mente, claro, e está-se nas tinta para esse facto. Ela mente porque pode.
Custa-me imenso ver uma mulher inteligente desculpar isto como se de uma má comunicação se tratasse: «Provavelmente quereria dizer que seria o partido no qual votaria, assumindo uma posição de votante quando era apenas apoiante». Mas, enfim, cada um vê o que quer.
Não é caso único a respeito deste tipo de mentira óbvia; isto, não obstante a sua infantilidade ou a sua imbecilidade, não é novo.
O Primeiro Ministro também disse (citado em segunda fonte):
«Sou, digamos assim, da geração Kennedy. Essa eleição representou já um momento histórico. Lembro-me do debate que houve na América quando, pela primeira vez, um católico se candidatou a presidente. O próprio Kennedy teve de vincar bem que nunca receberia ordens do Papa enquanto presidente dos EUA. Lembro-me bem do que isso significou».
É óbvio que o PM não tinha idade (três anos e pouco) para se lembrar disto e muito menos de qualquer significado que o facto tivesse.
E, no entanto, disse-o.
Como é que eles conseguem dizer estas coisas com confiança, acreditando eles próprios no que dizem?
Também só vejo uma hipótese, a mesma: mentem porque podem, porque estão convencidos que podem mentir sem censura, que ninguém os vê a mentir.
É só isto que me baralha muito.
O facto de ambos serem do PS não deve ser coincidência porque não me lembro de alguém mentir assim sobre factos da sua própria vida e em público.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Uma compra

Já fiz a minha encomenda.
Com um bocado de sorte, vai cair nas vésperas do meu aniversário.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Um poema


Bô é um tempo
De giestas agrestes
Que crescem nas mãos áridas e rudes
Do povo transmontano.

Bô, é o reino maravilhoso
Da silenciosa solidão.

Bô, é um vento frio
Que fustiga o campanário hirto e forte da igreja.

Bô, é um dia de festa, mas um só dia,
Na romaria emigrante,
Com muito dinheiro suado
E com alfinetes espetado
No andor do santo, cego e mudo
o povo
aos ombros,
pelo povo, é levado!

Bô, bô,
Tanto bô e bô tanto por nada.

O bô é nosso!
De mais ninguém!

Bô, é um grito
Fechado de liberdade.

Mesmo que os finos
Portugueses de Lisboa
Nos acusem de dizer Bô
Por tudo e por nada,
Nós diremos:
- Bô, isso é mentira!

Carlos Moreno