terça-feira, 28 de outubro de 2008

Uma caricatura




Gosto desta caricatura do Che.

Não está deificado e mostra bem a cara de morte que ele escondia e que encomendava e entregava para outros. Não sei era esse o propósito do autor mas é assim que eu a entendo.

Embora tenha alguma admiração por ele (afinal era um homem com um ideal, mau que fosse), a verdade é que não lhe tenho qualquer respeito.

Por isso, mostrando esta caricatura o que ele era, acho que ela é boa.

A foto foi tirada daqui, existindo outras ligações.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Mais uma vez

Há uns tempos atrás fiquei chocado por uma manifestação de falta de confiança; afinal, eu tinha ficado chocado em vão porque tudo correu bem.
dois dias na folha de couve oficial, torno a ver o mesmo.
Fico contente porque vejo que os amigos não só para as ocasiões; são para todas as ocasiões.
A diferença de nível hierárquico é nenhuma o que ainda mais conforma o meu igualatarismo.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O Almanaque

O Almanaque foi uma revista mensal (salvo para o fim, como é costume) que se publicou nos finais de 50 e pricípios de 60 do século passado.
Era uma revista de vanguarda, quanto mais não fosse porque era diferente. Diferente na apresentação, diferente no conteúdo e diferente na quantidade e na qualidade dos seus colaboradores (Sebastião Rodrigues, João abel manta, José Cardoso Pires, Alexandre O’Neil, etc.).
O seu director foi J. A. de Figueiredo de Magalhães, com orientação gráfica de Sebastião Rodrigues e fotografia de eduardo Gageiro. Tinha a sua sede na R. da Miseridórdia, n.º 125, 1.º — Não se indica a terra onde fica esta rua mas tudo leva a crer, pelo umbiguismo próprio de quem é, que fica em Lisboa.
Além da publicidade própria da época sob a forma de pequena notícia (por exemplo, um Taunus que vai dos 0 aos 100 em 17 segundos — Novembro de 1960, p. 31), tinha rubricas muito próprias. A fundamental, a meu ver, eram as crónicas do reino de Pacheco onde, a pretexto dis e daquilo, se escalpelizava o país de então; de uma forma elegante, irónica e atenta.
Adiante, colocarei aqui algumas peças tiradas dessa revista mas, para já, não resisto ao seguinte excerto:
«Vasco Pulido Valente
Nasceu em 1941. Frequentou a Faculdade de Direito e está à espera que chegue Outubro para se matricular em Filologia Românica onde espera formar-se.
Uma vez obtida a utilísima licenciatura faz tenções de emigrar para o Brasil.»
(Julho de 1960).

sábado, 23 de agosto de 2008

Idas e vindas

Nestas coisas de férias, com portos, estações e aeroportos, lembro-me sempre da seguinte anedota:
O Américo Tomáz foi ao Aeroporto da Portela despedir-se do Cardeal Cerejeira que viajava para Roma.
Diz o Américo Tomaz:
- Adeus Insigne Viajante.
Responde o Cardeal:
- Adeus Insigne Ficante.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Enfim!

Tive pena que Portugal perdesse o jogo contra a Alemanha e saísse do Europeu.

Mas só tive pena.

Estou-me nas tintas para a bola e estou farto do «glamour» das bandeirinhas a tresandarem falso patriotismo, do olhar para o que não interessa, do desvio de atenção que ela implica.

Enfim.

Para nós, o Europeu acabou mais cedo e ainda bem que assim foi.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Há um tempo

Há quarenta e poucos anos saiu um album com uma capa parecida com esta. Mas, ainda assim, o melhor estava para vir. Não foi um novo disco mas sim um novo concerto ao vivo; uma só música.
A 25 de Junho tentarei mostrar.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A guerra das bandeiras


Estive há dias nos Açores pelas festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
Estava a andar por ali quando vejo uma casa, toda florida, com bandeiras. Mais de perto, reparei que uma bandeira era a dos Açores e a outra a da Grécia.
Fiquei espantado porque não vi a Bandeira Nacional.
Falei com os meus amigos deste humilde tasco que me explicaram que a casa é a do Chefe da Confraria do Santo Cristo que é, também, o cônsul da Grécia.
Está bem, está certo que ele ponha lá a bandeira do país estrangeiro que representa — mas a Bandeira Nacional não tem que estar hasteada na presença da bandeira de outro país?
Afinal, que representante é este que a Grécia tem nos Açores? Um indivíduo que nem sequer respeita o seu próprio país? Se eu fosse o Embaixador da Grécia em Portugal ficaria preocupado com a escolha desta pessoa para seu cônsul; se ele trata mal o seu país, então como tratará a Grécia?
Enfim, só fique ofendido.
Não fui na procissão.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Estado caval

Fui andando por aí e deparei com uma página de um escritório de advogados; aliás, segundo me pareceu do que eu li, serão os melhores advogados de sempre.
E ainda bem que assim é.
Ora, acontece que uma senhora advogada dessa sociedade dá a conhecer o seu perfil, o que é sempre bom para sabermos com quem estamos a lidar. No seu estado civil, ela indica: «separada de facto». Eu não sou desta área mas tenho ideia que os estados civis são solteiro, casado, divorciado e viúvo. Pedi, noutro sítio, a opinião de pessoas mais sabedoras e fique com a impressão que aquilo que eu penso é verdade. Ou seja, «separada de facto» não é estado civil.
Mas ela diz que é; mais, até diz que é o seu estado civil.
Com estas, fui ver o currículo da senhora advogada e logo fiquei descansado: nada tem que ver com o chamado Direito da Família.
Isto quer dizer que o estado civil desta senhora é-lhe absolutamente indiferente e nem sequer tem que ser estado civil; pode ser caval, cevel, covol ou cuvul.
Ou seja, acho que é ignorância pura e simples.
Não fica mal assumir.

terça-feira, 4 de março de 2008

Um anúncio

Este foi o anúncio que atirou Steve Mizerak para o público geral, isto é, para além do público que já o conhecia do pool ou snooker. Grande jogador, com vários títulos nos EUA, foi a cerveja Miller que lhe deu grande fama.
A dificuldade do filme não esteve só em embolsar as bolas; na última, o Mizerak olhava para a branca para ver se metia a outra mas não era isso que ele tinha que fazer; ele tinha que levantar o copo de cerveja e olhar para a câmara de filmar, deixando a bola andar.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Moro e a 4L

Sempre me fez muita confusão a morte e rapto do Aldo Moro, em 1978. Lembro-me dos dias angustiantes que se seguiram à notícia da morte e o achamento do cadáver na mala de um carro. Estava mesmo morto antes de o encontrarem? Ainda havia esperança que ele estivesse vivo? Eu tinha entre 14 e 20 anos na altura mas lembro-me disto perfeitamente.
Só recentemente é que me deparei com a fotografia que está aqui ao lado.
O Aldo Moro, assassinado, tinha sido escondido numa 4L!!!
Para quem não sabe, a R 4L é, a seguir a uma meia dúzia de que não me recordo, o melhor carro do mundo (pelo menos, muito melhor que o amaricado 2 CV!).
Fiquei, pois, chocado recentemente, e ao fim de quase 30 anos, ao saber que o Aldo Moro tinha sido escondido numa 4L.
Foram dois atentados à civilização...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

domingo, 23 de dezembro de 2007

Natal

Claro que o post tinha que ter este nome.
Este estabelecimento está encerrado durante o Natal.
Depois de 1 de Janeiro, ainda se pode fumar aqui.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Feijão assado

Ingredientes:
1 Kg de feijão vermelho
1/2 Kg de toucinho
9 cebolas
6 dentes de alho
200 g de banha
Pimenta da Jamaica e cominhos a gosto.
*
Depois de demolhado, coze-se o feijão.
Num tacho de ir ao forno, refogam-se as cebolas e o toucinho na banha.
Depois, junta-se o feijão.
Põe-se no forno durante várias horas, mexendo de vez em quando.
Temperar com sal, a pimenta e os cominhos.
Quando estiver quase pronto, põe-se uma colher de banha por cima.
NOTA: deve-se fazer de véspera. A assadura faz-se com intervalos (assa uma hora e tira-se; espera 30m, volta-se a pôr mais 1 ou 2 horas; novo descanso e nova assadura), mas sempre com o forno ligado.

domingo, 18 de novembro de 2007

A ler





Este livro de Bryan Ward-Perkins (A Queda de Roma e o Fim da Civilização, Aletheia Editores, 2006) é excelente. Trata-se de um ensaio sobre o que se passou realmente com as invasões bárbaras. O autor quer vincar a ideia que não houve, nem de perto nem de longe, uma transição pacífica entre o fim do Império Romano e o estabelecimento dos reinos bárbaros. Pelo contrário, as invasões foram isso mesmo, invasões, com tudo o que isso implica (guerra, assaltos, violações, imposição de regras, etc.)
Contudo, o que mais interessa destacar é o motivo que levou a que este livro fosse escrito. A doutrina historiadora que reune num mesmo capítulo o tempo que medeou entre o ano 200 e o séc. VIII (Antiguidade Tardia) tem como resultado o branqueamento (não há outro termo) da queda do Império Romano e a sua substituição pela «civilização» (?) bárbara. Isto significa que um facto capital da História da Europa é arrumado, classificado e tratado como um pequeno incidente no percurso da Humanidade nesta área geográfica.
O pretexto do autor é, precisamente, demonstrar o erro de tal perspectiva.
E consegue-o.
Recomendo, pois, a leitura de este excelente ensaio.
Também recomendo, e isto para não ser pedante, o óptimo (para quem goste do género) livro de Robert Silverberg Roma Eterna (colecção Nébula, PEA).