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sexta-feira, 10 de maio de 2013

W. L. Shirer

Este é o nome de um autor que escreveu sobre a 2.ª Guerra Mundial.
Não foi, no sentido exacto do termo, um historiador. É um observador atento que sabe escrever o que viu.
Além disto, também sabe consultar documentos (milhares) e, com base neles, escrever uma história.
William L. Shirer foi o autor do livro Ascensão e Queda do III Reich, publicado em 1960.

Tive a sorte de encontrar, numa feira de rua, uma edição brasileira completa deste livro, em três volumes.
Parece que ele não teve muito acolhimento da academia porque era jornalista e não historiador. Mas o público, talvez mais cuidadoso e interessado, não pensou da mesma maneira e o livro vendeu-se como água.
Ainda bem para o autor.

E ainda bem para o leitor.
O livro é francamente bom, lê-se muito facilmente e não deixa de ser denso, tal como o assunto de que trata.
E o facto de ser jornalista até ajuda porque o autor esteve lá; esteve em Viena quando se deu o Anslucsh; foi para Berlim de seguida e lá esteve até Dezembro de 1940. Assistiu a vários discursos do Hitler bem como a diversos comícios do Partido.
Apercebeu-se de muita coisa.
Ao longo do livro, embora por poucas vezes, ele revela essa qualidade de presente, de ter estado lá. Faz comentários próprios de quem viu, relata as suas emoções perante o que viu.
Continua a ser, mesmo depois da biografia do Hitler de Kershaw, um livro fundamental para o conhecimento e compreensão desta tão curta época.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Bom livro

Só há dias comecei a ler este livro.
Tanto quanto me apercebi, ele não foi bem-vindo de tal ordem que a edição esgotou no dia da apresentação. Dizem as velhas que o mais interessado em que o não lessem foi quem o comprou todo.
Não sei nem isso é do meu interesse.
Existe uma versão na internet, aliás, uma cópia na internet onde ele pode ser lido. 
Eu, infelizmente, prefiro o papel.
Vou a meio do livro o que quer dizer que ainda não cheguei à parte de Macau e da Emadio. Vou começar a leitura do capítulo VII.
Até já gostei de ler embora o autor use constantemente o futuro condicional em vez do presente ou do pretérito. Ele não escreve "Fulano disse" mas sim, para significar o mesmo, "Fulano diria". Até se apanhar este jeito de linguagem, estranha-se; mas depois, como tudo, siga a marinha.
Quanto ao conteúdo, é política pura e simples. 
A política e o dinheiro (nada disto tendo que ver com trabalho) sempre se deram bem; não podemos é perguntar pelas respectivas famílias.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Um livro engraçado

Trata-se de um livro recente, de 2011, que tem por objectivo contabilizar os mortos das guerras conhecidas.
Nesta guerra ou naquela, quantas pessoas morreram? Qual foi a guerra mais mortífera?
Em termos singulares, qual foi o governante que matou mais? E qual foi a ideologia cuja prática causou mais mortes?
Começa com a Segunda Guerra Pérsica e termina com a Segunda Guerra do Congo.
Sem grandes surpresas, constata-se que a 2.ª Guerra Mundial foi a que causou maior número de mortos, seja em combate, seja noutras circunstâncias (fome, campos de concentração, etc.).
Também se toma boa nota de que a ideologia que mais gente matou foi o comunismo.
É um livro que se lê facilmente, bem escrito (embora com uma revisão por vezes pouco cuidada) e certeiro em alguns pontos.
Pode ser lida aqui uma crítica do livro.
Mesmo que não seja o supra sumo da exactidão, os seus números não andarão longe da verdade.

domingo, 6 de maio de 2012

Na feira do livro

Estive em Lisboa por estes dias e aproveitei para ir à feira do livro.
Há já uns anos que não ia lá e sempre tenho ideia de ter gostado, pelo menos, do passeio.
A ideia mantém-se.
O passeio é bom, o sítio é bonito e agradável. O tempo podia estar melhor mas nem tudo tem que ser perfeito.


A vista também é bonita.
Comprei pouca coisa.
Não ia à procura de nada de especial embora houvesse uma loja que eu queria visitar e que acabei por encontrar.
Comprei três livros do Tintin, um deles a edição em facsímile do Lotus Azul com esta capa:


Comprei outro sobre os barcos que aparecem dos livros deste herói; é semelhante ao dos carros mas, parece-me, mais completo.
Por último, comprei, a pedido, um livros de receitas de bolo de chocolate.
Estava a folhear o livro e deparo-me com uma fotografia na pág. 92.


Claro que achei graça pois não esperava nada esta surpresa.
É melhor começar a comer bolos de chocolate e, se calhar, até fazê-los.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Beatles for Sale

Grande livro! Soube dele por aqui e, embora não seja invejoso, fiquei com vontade de o ler.
Trata de todas os discos gravados pelos Beatles. Singles, EP's e LP's. Todos.
Descreve, com bastante pormenor, o modo como a gravação foi feita, descreve os locais onde as músicas foram tocadas ao vivo, etc.. 
Para colecionadores fanáticos, que não é o meu caso, tem os rótulos de cada disco com as diferentes versões, como se de selos se tratasse.
Embora incida fundamentalmente sobre a discografia inglesa, tem imensos pormenores sobre as edições estrangeiras, desde logo as (e falo no plural, pelo menos nos primeiros tempos) americanas.
Na página 253 tem a capa de um EP que foi publicado em Portugal em 1969 e de que já falei aqui.
Enfim, isto é bom para quem gosta muito.

Já tenho dois Zippos dos Beatles.

domingo, 17 de julho de 2011

«O Historiador»

É o nome de um livro, de Elizabeth Kostova, sobre Drácula.
Passa-se em três tempos diferentes: 1930, 1954 e 1972 e em vários locais: EUA, Pirenéus, Bulgária, Hungria, Turquia.
É um livro que se começa a ler e só se para quando o cansaço chega pois é bastante interessante. Não se trata de uma qualquer história vulgar de vampiros mas se uma coisa bem diferente: trata-se do próprio Drácula, o Empalador, que governou a Valáquia no séc. XV.
Trata também, e claro, da história da sua morte em 1972; dito de outra forma, o livro descreve a perseguição ao monstro.
Tudo isto é contado de uma maneira surpreendente, intrigante. A imagem acima existe no objecto mais perturbador de todo o romance: um livro que apenas contém aquele desenho.
Querem fazer um filme com base neste livro mas parece que as coisas não estão nada fáceis.
Vamos esperar mais um pouco.

terça-feira, 22 de março de 2011

Dois livros numa loja

Estiva há dias em Cacilhas com um propósito: comprar um livro de que vim a saber aqui. Podia, claro, tê-lo encomendado mas já que ia a Lisboa aproveitei para passar na loja.
Não é uma livraria, é uma loja que vende várias coisas ligadas à música pop, entre as quais, livros.
Foi este o que eu comprei, conforme estava já combinado.
Trata-se de uma pequena enciclopédia sobre todos, ou quase todos, os conjuntos dos anos 60 em Inglaterra. Estão lá os mais famosos de sempre, os que gravaram e venderam dois discos conhecidos, etc..
Mas os livros, pelo menos para mim, são como as cerejas.
E farejando dentro da loja gostei de ver este:
Gosto muito deste grupo; além dos vários singles conhecidos, gosto bastante do Tommy (mas mais na versão com a London Symphony Orchestra) e do Quadrophenia (este estava na loja, aliás). 
Não resisti e comprei o livro. É bastante completo, grande (embora com muitas fotografias tem imenso texto, que é o que me interessa); e gosto, pronto.
Uma outra coisa que vi na loja foram uns isqueiros que eu quase jurava que eram da Zippo. Não eram mas sim de uma outra marca que não conhecia, Star. São iguais, à prova de vento, com o mesmo barulho de abrir e fechar a tampa (comparei logo com o meu) e, por fim, €20 ou €30 mais baratos que o Zippo.
Por último, a simpatia da dona, Cristina Martins, inexcedível.
Vale bem a pena ir a Cacilhas a esta loja.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Biografias

Gosto muito de biografias e como não há biografias de pessoas desconhecidas leio aquelas de pessoas famosas.
Não interessa o tempo nem o que fizeram; de algum modo, todos fizeram algo muito relevante e, por isso, são recordados. Claro que muitos não fizeram bem, há sempre um filho da mãe ou outro que chega ao poder e faz o que quer. Aliás, das várias que tenho, talvez o único bonzinho seja o Thomas More. 
Mas também gosto, mais ainda, das autobiografias. Fazem-me sempre rir e deixam-me sempre uma sensação de desconforto: como é que eles, sendo tão bons, tão capazes, tão sérios, não conseguiram executar os seus igualmente tão bons projectos, como é que não conseguiram implantar a sua tão boa visão das coisas e do mundo?
Enfim, mistérios.
A última que li foi a do Salazar, de Filipe de Meneses. Gostei mas estava à espera de melhor, de muito melhor. Por uma lado, depois de lida a do Franco Nogueira (mesmo que hagiográfica), qualquer outra parece incompleta; por outro, a expectativa à volta deste livro foi enorme.

Agora estou a ler a do Sá Carneiro, de Miguel Pinheiro. Estou a gostar imenso. Está bem escrita, claramente escrita, e é, até ver (ainda só cheguei ao 25 de Abril), realmente biográfica. No entanto, encontrei lá (p. 227) uma asneira que só pode ser fruto de distracção (não é caso para lapso). Escreve-se que em «Agosto de 1972 acabava o primeiro mandato de Américo Thomáz». Como é público, naquele mês terminava o seu segundo mandato (o primeiro de 1958 a 1965 e o segundo de 1965 a 1972).
Mas, tirando este erro, estou a gostar bastante do livro.
Está um neste grupo de que já falei e que, pura e simplesmente, não presta.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Empreitada

Decidi ler os livros dos Cinco de corrida. Mas, à boa maneira portuguesa (como é normal nas empreitadas), não corre tudo como planeado.
A ideia era ler por ordem mas descobri que me desapareceram, momentaneamente, os livros 1 e 5 (e deste gosto muito); ou seja, para já, não vou lê-los todos de seguida. Eles desapareceram da minha vista mas estão em casa... algures.
Mas já cheguei ao 10, o que tem a capa acima. É dos melhores da colecção.
Infelizmente, não tenho a colecção original, a da ENP. Tenho uma outra, da Abril, publicada em 2000. Os textos são quase absolutamente iguais, tirando alguns modernismos, tirando algumas actualizações. Os desenhos também são outros e, parece-me, não tão expressivos quanto os da primeira edição.
Enfim, são mudanças e não grandes defeitos.
O 18 é também um dos melhores.
Já descobri que não consigo lê-los com a velocidade que pensava que iria ter; afinal, os livros não são tão pequenos e temos que parar antes de chegar à aventura!

Como disse, só tenho os livros de 2000; as fotografias não são minhas mas sim deste blog que, entretanto, está em pausa.

sábado, 23 de outubro de 2010

António Ferro e Salazar



Já tinha ouvido falar muito deste livro que tem cinco entrevistas de António Ferro a Salazar e que foram feitas em 1932.
O prefácio é do próprio entrevistado e é aqui que está a famosa auto-descrição do ditador: «Este homem que é governo, não queria ser governo. Foi deputado; assistiu a uma única sessão e nunca mais voltou. Foi ministro; demorou-se cinco dias e não queria mais voltar. O governo foi-lhe dado, não o conquistou, ao menos à maneira clássica e bem nossa conhecida (...) Tem todo o ar de lhe ser indiferente estar ou ir; em todo o caso, está. Está e há tanto tempo e tão tranquilamente como se ameaçasse nunca mais deixar de estar» (pp. XIV-XV).
É um livro interessante porque é um documento contemporâneo, porque é mesmo daquela época. Claro que é um panegírico mas até isso tem graça.
Tem cinco fotografias; publiquei esta porque não a conhecia.
Além das entrevistas, tem a história delas, antes e depois (refiro-me às revisões que Salazar fez das provas para a publicação em livro).
É da Empresa Nacional de Publicidade e foi composto e impresso em 1933.
Comprei aqui (qualquer dia tenho que ir lá vasculhar aquilo tudo).

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Salazar prosador



Comprei recentemente, aqui, a colecção completa dos discursos do Salazar. São os livros que estão aí em cima.
Está um repetido por uma circunstância puramente acidental. Já tinha o 1.º volume (da tiragem especial de 500 exemplares numerados e rubricados pelo autor, o n.º 443) mas a compra dos restantes, incluindo o mesmo 1.º volume (n.º 378 da mesma tiragem), foi aliciante.
Agora tenho a colecção completa com um livro repetido; não faz mal que eu sei a quem o oferecer por alturas do Natal.
Admiro muito o Salazar como pessoa muito inteligente, atento, previdente, forte e conhecedor dos portugueses.
Não sou salazarista, não sou do tempo dele, mas tenho que admitir que não é fácil estar 40 anos no poder sem aquelas qualidades.
Mas ele tem outra melhor.
É, sem dúvida, o prosador político do séc. XX português.

Estes livros demonstram muito bem isso. Só o prefácio ao 1.º vol. lhe serviria para o definir como o mestre do discurso; sem dotes de oratória, sem gestos, sem espectáculo. Os restantes livros confirmam.
Cada discurso tem cabeça, tronco e membros. Ele define os temas e, depois, discorre sobre eles.
E discorre com clareza, com frases próprias das suas leituras (António Vieira e Manual Bernardes), com frases cheias, completas em que, muitas vezes, é a parte final que lhes dá o seu especial sentido ou conclusão.
Não sou da área da Literatura, não tenho as ferramentas próprias da análise literária, do domínio das figuras de estilo, etc.. Mas sei ler e sei pensar o que leio, compreendo o texto à minha frente.
O Salazar político, mesmo dando de barato que não se pode distinguir o prosador do político, é coisa que me fascina mas que, neste instante não me interessa.
Vou ler a recente biografia dele e, só depois, darei uma opinião.
Mas, e é este o ponto do escrito, melhor prosador de Estado que ele, não existe.
É confrangedora a pobreza intelectual dos discursos actuais, é confrangedora a falta de sobriedade, a falta de estilo, a falta de conteúdo.
Não é de admirar muito; hoje, os políticos não discursam, dão entrevistas em cima do acontecimento e não pensam no que dizem.
Não têm oportunidade.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Um livro sobre Beatles

Este é um livro engraçado sobre os Beatles.
Trata-se de um conjunto de crónicas a respeito deles que foram sendo publicadas ao longo dos anos, bem como excertos de alguns livros.
Encontra-se lá a famosa crónica de Maureen Clave, de Fevereiro de 1963, a primeira ou das primeiras a respeito do grupo a nível nacional. É nesta crónica que ela descreve o Ringo como «ugly but cute».
Tem também um artigo demolidor da beatlemania de Paul Jonhson (Fevereiro de 1964), chamado, aliás, «The Menace of Beatlism».
O melhor é transcrever o que está na contra-capa:
«The Beatles: Paperback Writer, is a collection of the best writing on the Beatles by rock journalists, cultural commentators, journalists, scholars and biographers, alonside personal contributions from the Beatles themselves, and their friends and acquaintances. This book is essential reading for any serious Beatles fan, providing a fascinating overview of a band who continue to exert a huge inflence on music and popular culture».
É publicado por Plexus Publishing e o seu organizador é Mike Evans.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Boa colecção

Gostei muito desta colecção e não imaginava a quantidade e o tipo de objectos que pudessem ser nela incluídos.
Cadeiras, carros, ganchos, saca-rolhas, isqueiros, estantes, sei lá que mais.
Ao longo destas 15 semanas era sempre com tristeza que chegava ao fim do livro, queria sempre ver mais coisas.
O último volume tem diversos índices completos de tudo o que consta na colecção (objectos, designers, com indicação dos respectivos trabalhos, categorias).
Tenho pena, claro, que a 4L não esteja representada. E não é por ser fanático por ela que digo isto. A 4L tem um desenho original, apelativo e é um ícone de diversas gerações; talvez por estar mais ligada ao trabalho, ela não teve o seu valor totalmente reconhecido, designadamente, no confronto com outros rivais (desde logo o 2 CV). Tinha também aquilo que, por qualquer razão que desconheço, apenas foi gabado no R 16: a quinta porta.
Mas adiante.
Também tem algumas motas como esta vespa; tem mesmo a V-Rod, embora em termos de estilo prefira muito mais a Rocker C.
É claro que uma colecção deste género não pode agradar a todos e cada um de nós faria uma coisa diferente.
Mas isto em nada contende com a qualidade dos livros.

sábado, 18 de julho de 2009

Sobre o Tintin


Este é um dos livros mais curiosos sobre o Tintin. Trata-se do D'Abdallah à Zorrino. Le dictionnaire des noms propres de Tintin.
O seu autor é Cyrille Mozgovine.
Tudo que seja um nome em qualquer dos álbuns do Tintin está neste livro.
Além dos personagens principais, basta a simples menção de qualquer nome para que ele esteja registado neste livro.
Dou dois exemplos: Alonzo (no Templo do Sol, 8,8) e Olsson (Carvão no Porão, 43, 14).; este último é apenas um nome que consta duma mala!
Claro que lá está o grosso da família:

Em suma, um livro bastante recomendável.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Grandes livros

Tive a sorte de começar a ler cedo e de lhe ter apanhado o gosto.
Claro que primeiro, além dos livros da escola, foi a banda desenhada. Lia tudo o que apanhasse quer fosse dos irmãos mais velhos quer dos amigos.
O primeiro livro a sério que li foi, como acho que não podia deixar de ser, dos Cinco (Nova Aventura dos Cinco).
Mais tarde fui lendo os outros da mesma colecção e comecei a ler os Sete.
Gostei menos mas ainda assim lá os li.
Mas houve uma colecção que me encheu as medidas: Gente Grande Para Gente Pequena.
São pequenas biografias de pessoas tão variadas como Luís de Camões, Fernão de Magalhães, Serpa Pinto, Gutenberg, Wagner, Madame Curie, etc. e tal.
O seu autor era Adolfo Simões Müller e escrevia para crianças e jovens (vim depois a saber que a ele se deve a apresentação de Tintin em Portugal).

De toda a colecção, os que mais me impressionaram e os de que mais gostei, foram O Capitão da Morte, O Grande Almirante das Estrelas do Sul e O Homem das Mil Invenções.
O primeiro trata de Robert Scott, o segundo homem a chegar ao Polo Sul e que morreu perto desse local e nessa expedição.
Claro que não se fala do mau feitio de Scott, antes se enaltece a vontade de vencer e para mais na derrota.
O segundo trata de Gago Coutinho, o aviador que, juntamente com Sacadura Cabral, fez a viagem Lisboa-Rio de Janeiro em 1922 de avião. Melhor será dizer de «aviões» pois que foram utilizados três aparelhos.
O terceiro trata de Tomás Edison, o genial inventor.
Acho que foi deste livro que gostei mais. Lembro-me da parte em que ele é salvo por um homem do comboio (onde tinha instalado já o seu laboratório) agarrando-o pelas orelhas e lembro-me também da parte em que ele aceita fazer um anúncio a uma casa de chá: só tinha que estar na montra a beber chá constantemente e a sorrir o tempo todo!
Mais haveria a dizer mas agora fica só a capa de O Capitão da Morte
Boas leituras!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Uma biografia


Acabei de ler a biografia de Marcello Caetano.
Não é bem uma biografia mas antes um conjunto de comentários e factos a respeito de uma pessoa. Como biografia, parte de um pressuposto singular: que o leitor conheça já a vida do biografado. Ou seja, quem não a conhecia e lê este livro pouco mais fica saber.
Existem três ou quatro erros sem grande importância mas que são irritantes e mostram falta de atenção. Por exemplo: falando de Timor (e logo de Timor, que fica no Pacífico), a autora diz duas vezes (88 e 90) que a 2.ª GG acabou em Maio de 1945. Não é certo.
Fala, a certa altura, e talvez por graça (não se percebe o contexto) ou apenas a título de curiosidade, do «marcelino»; mal pois que o nome, conforme sabe António Miguel Trigueiros (p. 196), é «marcelinho».
Da vida académica de MC pouco é, realmente, contado. Aliás, não deixa de ser curioso que a autora publique cópias das capas de alguns livros mas não a daquele que o iria tornar uma figura ímpar do se. XX português (e não apenas político):

Entre 58 e 68, MC foi o que melhor podia ser: professor. Mas sobre isto, no capítulo intitulado «Magnífico Professor», a autora apenas reproduz o depoimento de algumas pessoas. Nada conta sobre o que ele foi escrevendo, as conferências que deu, as investigações que levou a cabo, etc. Ficamo-nos só e muito pela rama.

Ainda neste âmbito profissional, teria interesse saber algo mais do que o próprio conta nas suas Memórias e que a autora reproduz no livro (p. 62-63). Por exemplo, que professores compunham o júri, qual o seu percurso político, qual a sua atitude face à Ditadura. Ficaríamos a conhecer melhor a FDL de então e perceberíamos melhor o interesse destas provas. Também a respeito do encerramento desta faculdade, a autora nada diz; apenas o refere. Da mesma maneira a greve ao estágio: as razões, as pessoas, os factos.

Biografia mesmo, só os capítulos sobre as raízes de MC e o tempo de exílio no Brasil. Ainda assim, algo mais haveria a dizer.

Em suma, como biografia (e tem, a editora, a lata de chamar a isto «A biografia completa») é bastante pobre.
Eu seu que eu não faria melhor; mas de certeza que não chamaria a isto uma biografia.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Vínculo e veículo


Um amigo, que sabe que eu gosto das coisas das ilhas, emprestou-me a História dos Açores, publicada pelo Instituto Açoriano de Cultura.
São dois grossos volumes que, tudo me indica, vale a pena ler. Comecei a ler e logo tive um susto.
No 1.º capítulo da Parte I (O descobrimento dos Açores), o autor, Rui Carita, escreve a certa altura: a «descrição deste reconhecimento vinculada por Gaspar Frutuoso e por António Cordeiro, coincide em linhas gerais com a vinculada pelo misterioso cronista Francisco Alcoforado» (vol. I, p. 54). O meu ouvido ficou ferido porque o som não correspondia, de forma alguma, à ideia que me parecia que se quisesse transmitir (ou veicular).
Vinculada ou veiculada?
Pensei que se tratasse de um erro de impressão (qual?) ou de falta de cuidado na revisão do texto. É que vincular, embora parecido, nada tem que ver com veicular.
Fui procurar nos meus dicionários de Língua Portuguesa e encontrei, para vincular, os seguintes sentidos: ligar, atar prender, impor, segurar (GDLP, t. VI, p. 589 de João Pedro Machado); encontrei também coisa igual no Houaiss (t. VI, p. 3708).
Em sentido diferente, e nos mesmos dicionários, encontrei o significado de veicular: meio de transporte, transmitir ou fazer a difusão de, propagar, transmitir (p. 546 e 3674, respectivamente).
Parece-me, pois, que houve aqui algum engano ou na redacção ou na impressão.
No entanto, a mesma expressão, e no mesmo contexto, é repetida na p. 56: a «história é contada pelo padre Gaspar Frutuoso e vinculada depois pelo padre António Cordeiro».
Ou seja, e segundo me parece, trocou-se um verbo por outro quando apenas se passa que eles foneticamente têm alguma semelhança mas não de conteúdo. O historiador, qualquer historiador, pode veicular, transmitir uma opinião sobre determinado evento mas isso não nos vincula a coisa nenhuma, essa opinião não é imperativa.
Repito que não sei o que se passou neste caso em concreto; mas sei que a um professor catedrático isto é quase impossível de acontecer; da mesma maneira que sei que os dicionários também não se enganam nas questões das palavras.

P.S. Gostei de ver os isqueiros dos Beatles.
Obrigado.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sobre o poder

Acabei de ler as memórias de Adriano Moreira. Naturalmente, veio-me à memória o O Novíssimo Príncipe (Intervenção, 1977).É daqueles livros que gosto sempre de ler em qualquer altura e não tenho que o ler todo para dele tirar prazer.
Tem frases belíssimas, simples na sua forma mas cheias de conteúdo.
O livro trata sobre o poder e, concretamente, sobre quem tomou conta do poder depois do 25 de Abril. Mas não só: o capítulo II tem por tema o «primado dos valores» e é sempre recomendável a sua leitura.
Do livro retiro algumas frases:
«A nossa época tem visto morrer homens aos milhões desde 1939, numa avalanche de violências sem precedentes: por serem russos, por serem húngaros, por serem checoslovacos, por serem irlandeses, por serem pretos, por serem brancos, por serem ibos, por serem judeus, por serem árabes. Não consta que habitualmente morram por serem proletários ou por serem capitalistas» (pp. 54-55).
O MFA nunca teve intenções de entregar o poder a terceiros. «O contrário é que seria novidade, porque não é da natureza das coisas que o poder seja tirado a uns para dar a outros, como nas histórias do bom ladrão» (p. 76).
Para acabar, uma das melhores:
«Nunca é demais lembrar que o Poder se reduz a essa coisa rude e sem subtilezas que é a capacidade de obrigar os outros a cumprir» (p. 105).

sábado, 13 de dezembro de 2008

Nota do Tradutor



As Notas do Tradutor são sempre úteis.

Em determinados termos, deixam o texto incólume (palavras ou expressões cujo significado preciso é na sua língua original que se capta), noutros deixam a impressão da solenidade do termo (organismos estaduais) e noutros... não são tão úteis nem esclarecem nada do texto traduzido.

Li recentemente um livro já antigo (o original é de 1987) de ficção (o resumo pode ser aqui consultado mas não aconselho; vale mais ler o livro) que trata de uma aventura em volta da não ocorrência da morte de Hitler, no bunker (esta também é daquelas palavras que não são traduzidas), de Berlim em Abril de 1945.

O tradutor chama-se Carlos Peres Sebastião e Silva.

Em algumas notas, não traduz só. Dá informações que não são pedidas (por exemplo, p. 25) ou sequer interessantes para se perceber o texto (p. 209).

Mas em duas notas ele vai muito mais além do que se pede a um tradutor.

Na pág. 261, no texto, refere-se que o Papa Pio XII tinha no início da guerra, provas concretas dos campos de morte e da sua função. Trata-se, note-se bem, de um diálogo entre duas personagens de um romance de ficção. Surge a surpreendente N. do T.: «Os campos da morte nazis só foram implementados a partir de 1942, em plena guerra, portanto. Esta afirmação (e as subsequentes) do autor em relação ao Papa é assim totalmente desprovida de sentido».

Não me interessa se este facto é verdadeiro; o que me interessa é que isto não tem nada a ver com a tradução.

Na pág. 645, surge a melhor.

Já não estamos na história, o romance já acabou. Trata-se uma nota do autor sobre o livro que ele escreveu e que acabamos de ler: «É irónico que Estaline, o simpático aliado a que os americanos chamavam Uncle Joe, provavelmente tenha ultrapassado em muito Hitler quanto a número de mortor de que este foi responsável, naquilo a que o grosseiro georgiano chamava “trabalho molhado”». Depois disto, vem a respectiva N. do T.: «Segundo alguns historiadores e dissidentes russos como Alexandre Soljenitsine, o número de mortos às ordens de Estaline poderá oscilar entre um mínimo de 28 milhões e um máximo de quase 50 milhões de pessoas o que faz de José Estaline o maior carniceiro da História».

De novo, não me interessa se isto é ou não verdade; o que me interessa é a tradução.

E o que é que isto tem que ver com a tradução?

Trata-se de um tradutor ou de um comentador?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Gralhas





Comprei recentemente o livro O Fim do Mundo Antigo e o Princípio da Idade Média, de Ferdinand Lot (Edições 70, colecção Lugar da História).
Gosto muito deste tema e achei o livro muito interessante e fácil de ler. Uma coisa que eu não sabia consta de pp. 194-105:
«Estes Godos, ditos Greuntungs, são, a partir do século V, apelidados de Oatrogodos, isto é, “Godos ilustres” (austr) e não Godos do Leste, enquanto que aqueles de que falamos atrás serão chamados Visigodos, isto é, “Godos sábios” (e não Godos do Oeste)».
Mas o que eu quero escrever a respeito deste livro é das suas gralhas!
Nunca li um livro com tantas gralhas, às vezes, 2 ou 3 por página.
Dou os seguintes exemplos:
Na página 73, linha (de texto) 32, escreve-se «as» onde se deve ler «às»;
Na página 80, linha (de texto), 16, escreve-se «area» onde se deve ler «área»;
Na página 139, linha (de texto), 12, escreve-se «alcada» onde se deve ler «alçada»;
Na página 195, linha (de texto), 12, escreve-se «raca» onde se deve ler «raça»;
Na página 454, linha (de texto) 45, escreve-se «permanecera» onde se deve ler «permanecerá»;
Na página 454, linha (de texto) 21, escreve-se «françês» onde se deve ler «francês».
Há muito mais gralhas mas estes chegam para enxovalhar o livro, o tradutor e o revisor, além da própria editora, claro.